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Uma chaleira (e tanto)

O que pode acontecer de diferente com uma chaleira? Pois bem, é um objeto simples que todos sabem para que serve. Seria possível fazer sucesso com um produto como esse, diriam muitos. A 9093 prova que não é verdade… Sua história é interessante e também atual, pois desde o seu nascimento (1985), já foram vendidas milhares de unidades. Qual é o segredo?

Captura de Tela 2015-08-29 às 17.25.53O arquiteto Michael Graves projetou um “objeto de consumo”, para uma loja italiana de utensílios domésticos chamada Alessi. Essa chaleira tem em seu bico um passarinho de plástico. Simples? Um sucesso.

Denominada “modelo 9093” continua vendendo muito, inclusive cinco vezes mais do que uma cópia lançada por uma rede americana que, por sinal, chamou o próprio Graves para criar toda a sua linha de produtos. Incluindo uma versão “mais em conta” do modelo 9093! Todavia a italiana Alessi não perdeu o seu prestígio diante da cópia: o impacto do produto já se mostrou tão grande que fez com que seu processo de criação ultrapassasse os limites da Itália.

Milão capital da moda e…

Os mestres deste processo de criação foram diversas pessoas. A interação provocada para a criação deste chaleira é um dos pontos chaves da inspiração. Todo o processo extrapola a disciplina do design. Isto é, não foram apenas designers que estavam desenhando o modelo. Foi uma comunidade livre de arquitetos, fornecedores, fotógrafos, críticos, curadores, editores, artesãos e muitas outras categorias de profissionais – e, obviamente, artistas e designers. Antes mesmo do modelo final sair para o cliente, a identidade e o sentido do produto foram exaustivamente explorados. Consumidores foram ouvidos, várias pesquisas e observações do consumidor. Tudo centrado no ser humano.

Captura de Tela 2015-08-29 às 17.37.43O modelo 9093 tem referências da arte pop e da art déco. A chave de seu sucesso foi aplicar a expectativa do consumidor em relação a sua forma, e com a função da chaleira, à experiência do café da manhã. O som que ela faz atrai a pessoa para a mesa com a mesma força do cheiro do café. A ave que está anexada ao bico é um detalhe interessante que confirma “o chamado para uma boa experiência de se tomar café”, dando força a atração. “Acordar de manhã me deixa mal-humorado. Mas agora, quando a chaleira começa a assobiar, me pego sorrindo. Raios que o partam!“, relata um poeta francês à uma grande revista de negócios.

Pensando design!

Claro que você conhece chaleiras, de vários formatos e tamanhos. Todas tem um propósito utilitário, cuja função é ferver água. Logo, a função (ferver água) precede a forma – primeiro princípio do design moderno. O modelo 9093 é um exemplo de como acontece a “inovação via design”. Do contato com a comunidade de pesquisa de Lombardia, o presidente e diretor-gerente da Alessi, Alberto Alessi, detectou uma nova leveza, quebrar com os rigores do modernismo e trazer uma “experiência nova” através da chaleira. E funcionou. Alessi procurou Graves, professor de arquitetura em Princeton que, até então, nunca tinha produzido bens de consumo. A idéia era propiciar ao consumidor uma experiência sensorial e estética, além de conforto pessoal – e não apenas sua  funcionalidade. Por quê uma chaleira não pode ser bonita e trazer prazer? E assim aconteceu um projeto centrado no ser humano.

Assim é o processo de inovação através do Design Thinking. Para se entender é preciso não ficar preso a palavra “design”, como se fosse apenas a criação de coisas profundamente elegantes. Vai além disso. É necessário saber a diferença entre ser designer e pensar como designer. “O design não é somente o que se vê ou o que se sente. O design é como funciona.“, já nos disse Steve Jobs.

O Design Thinking prega que pensamentos divergentes são essenciais para quem deseja chegar a pensamentos convergentes, fala que é preciso estimular diferentes estados mentais para podermos resolver problemas. A empatia é essencial no processo, além da prototipação. Testes, e mais testes, até vermos a inovação tomando forma. Até mesmo uma chaleira!

“…O design é como funciona as coisas.”

Neste tripé famoso de inovação, na qual se apresenta a praticabilidade (o funcionalmente possível), a viabilidade (o que pode se tornar um modelo de negócios sustentável) e a desejabilidade (o que faz sentido para as pessoas), muitas coisas inspiradoras tem aparecido durante anos, provocando inovações “inesperadas”. A maior parte delas nasce em um ambiente de conceitos variados (“variação cega”, story-telling, prototipação, cocriação). Um problema que inicialmente não estava sequer definido é passível de resolução.

Pensar diferente é um dos principais caminhos para a inovação, e o design thinking procura incentivar um novo olhar sobre coisas e situações. Este é o exemplo de inovação que o modelo 9093 pode nos dar. Não tem coisa melhor do que acordar cedo com aquele cheirinho bom de café, ouvindo um canto de pássaros. Sim, é inspirador. Pensemos design.

 

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